Cânone

Forasteiros

Forasteiros são seres ou criaturas originários de outros mundos que tentam alcançar Adamar.

Sua existência é consequência direta do Entremundos: onde a barreira entre mundos se torna fina, algo do outro lado pode atravessar, influenciar ou invadir.

O termo cobre desde entidades de enorme poder que agem ao longo de séculos até criaturas menores que se aproveitam de brechas momentâneas. Uma invasão é o ato de um forasteiro alcançar Adamar — através de sussurros, possessões, cultos, rituais ou portais abertos à força.

Os forasteiros, motivações e métodos citados nesta nota são apenas exemplos ilustrativos do que já foi registrado ou imaginado no mundo. Podem existir outros, com naturezas e objetivos inteiramente diferentes — o narrador decide o que de fato existe em cada campanha.

Forasteiros x Divindades

Tanto forasteiros quanto divindades podem agir sobre Adamar sem pertencerem fisicamente a ele, mas operam por caminhos diferentes.

As divindades estão ligadas ao mundo onde surgiram e só detêm poder sobre seus próprios domínios (ver Divindades). Não manipulam magia arcana diretamente; quando precisam agir fora de seu domínio, recorrem a mortais. Sua influência costuma ser concedida — milagres, bênçãos, magia divina oferecida a fiéis.

Os forasteiros não respeitam esses limites. Usam magia arcana ou energias equivalentes de seu mundo de origem para atravessar a barreira. Sua influência é tomada, não concedida — chega como sussurros, compulsões, corrupção ou invasão aberta.

A distinção nem sempre é clara para os mortais. O conto O Milagre do Mago (ver Contos de Invasões) mostra um forasteiro cujas interferências foram interpretadas como milagres divinos, passando a ser cultuado como mais um deus no panteão de um mundo alheio. Do ponto de vista das pessoas comuns, um forasteiro poderoso o bastante é indistinguível de um deus.

Por que invadem

As motivações registradas são variadas, mas recaem em alguns padrões:

  • Fome de magia. O Wendigo devorou toda a magia de seu mundo natal e hoje sobrevive enviando sua consciência para Adamar através daqueles que devoram magia em seu nome.
  • Sede de poder e controle. O Imperador Pálido dominou seu próprio mundo por séculos manipulando mentes; ao perceber Adamar através da barreira, voltou sua atenção para expandir essa influência sobre um mundo novo.
  • Fuga de um mundo drenado. O feiticeiro de O Milagre do Mago consumiu por completo seu mundo de origem e buscou em Adamar um lugar inexplorado.
  • Destruição e maldade intrínseca. O Mito da criação descreve os primeiros invasores como entidades atraídas pela inveja ou desejo, movidas por uma fome voraz de destruição. O conto O Pai e o Demônio ilustra um ser maléfico e sádico que se alimenta dos pecados dos mortais para colocar crias no mundo.

Como invadem

Os meios de invasão registrados variam conforme o poder do forasteiro e a espessura da barreira no ponto de contato:

  • Sussurros e influência mental. O Imperador Pálido acompanha Adamar através de sussurros captados à distância, decifrando os pensamentos dos mortais ao longo de séculos. O conto O Soldado e a Menina mostra sussurros e luzes na mente de um mortal em resposta a uma prece.
  • Hospedeiros e cultos. O Wendigo não atravessa em corpo; envia sua consciência e concede força, inteligência e voracidade aos que julga ferozes o bastante para suportar sua influência.
  • Pontos de barreira fina. As Masmorras são pontos de convergência de energia onde a barreira que separa os mundos é menos espessa — locais naturais de ruptura.
  • Rituais que rasgam a barreira. A Primeira Lua Negra mostra como um ritual usando o Anel de Possessão para destruir uma masmorra abriu um portal por onde outros invasores passaram de forma imprevisível.
  • Milagres propagados ao longo de eras. Em O Milagre do Mago, séculos de interferência discreta afinaram a barreira e fizeram com que as ações do forasteiro fossem recebidas como milagres divinos.
  • Corrupção moral. Em O Pai e o Demônio, o pecado de um mortal serve de brecha para que um forasteiro coloque uma cria no mundo, sem ritual ou portal explícito.